terça-feira, 21 de abril de 2015

Texto: Alma Limpa

Fonte: www.tumblr.com


Ela que tanto cuidava e que tanto fazia, limpava a sujeira dos corações alheios e empoeirava o seu. Havia tanta sujeira, que ela esqueceu que havia ali um coração. Por Deus, quem resistiria a tamanho caos? E mesmo assim, de coração mole e adormecido, ela seguiu, prosseguiu e conseguiu: Amar! Aquele coraçãozinho, a cada pulsar, espalhava um pouco da camada cinzenta que o recobria. Entretanto,ela havia esquecido ou não sabia o que era ser amada. Ela não entendia o porquê de, apesar de pulsar forte, o coração continuar assim, tão apagado. Amava demais. Amava por ela, por ele e por seus filhos (que ainda nem vieram). Todos os dias, ela fazia questão de ficar limpa e perfumada, mas, naquele dia em especial, foi diferente. A cada vez que aquelas mãos passavam pelo seu corpo, além do prazer aflorar sua pele molhada, as cicatrizes da alma pareciam sumir. Era um banho de vida e todos os sonhos que a vida havia lhes roubado, pareciam ser repostos em meio aquele cheiro de sabonete. Tentou sorrir. Não conseguiu. Puxou o moço e o abraçou. A água do chuveiro não conseguiu confundir suas lágrimas, que saiam feito água suja depois de faxina. "Obrigada!" - sorriu timidamente - "Você lavou minha alma!".

Texto por Renata Linard, 19 anos, estudante de Jornalismo e dona da página "O que Brotou das Dores".

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